Confiança

Publicado em 03 de Fevereiro de 2017

O Conselho da Comunidade de Campo Grande, organização da sociedade que atua na inserção de reeducandos no mercado de trabalho, inaugura na sexta-feira (14) sua sede própria. O espaço é uma conquista neste ano em que o Conselho completa dez anos. A inauguração acontecerá às 9 horas, à Rua Jamil Basmage, 1.561, no bairro Nova Bahia.

O trabalho do conselho auxilia detentos dos regimes semi-aberto, aberto e da condicional a conseguirem trabalho ainda durante o cumprimento da pena. Para muitos, a oportunidade que começa nesse período se torna o caminho para o emprego depois de deixar o sistema carcerário.

O Conselho faz a intermediação entre a Agência de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e empresários e órgãos públicos para viabilizar emprego para pessoas que estão saindo do sistema carcerário, possibilitando o sustento da família. "São pessoas que normalmente enfrentam muita dificuldade para conseguir trabalho, diante do preconceito da sociedade em relação a quem passou pela prisão", explica o presidente da entidade, Nereu Rios. "O apoio é fundamental para que não reincidam no crime"

O Conselho da Comunidade foi constituído para auxiliar os juízes e as autoridades que atuam no setor no trabalho junto aos egressos e a população carcerária em todas as tarefas vinculadas à readaptação e reconquista da cidadania plena. É o único no Estado de Mato Grosso do Sul, e um dos poucos do país, que consegue manter suas atividades. Embora tenha sido criado em diversos locais, a maioria não saiu do papel e se encontra inativo, lamenta Rios.

Nos dez anos de funcionamento, a entidade já comprovou a redução da percentagem de retorno ao crime de quem está prestando serviço dentro dos projetos desenvolvidos pelo Conselho da Comunidade. Uma estimativa realizada pelos conselheiros verificou que menos de 5% dos atendidos retornem às atividades ilícitas, sendo que quando não existe uma assistência de prevenção, o índice pode chegar a 80% de reincidência.

Além de viabilizar a ressocialização e a inclusão, proporcionado ao indivíduo o convívio social, o projeto colabora com a redução de despesas do Estado por ser o trabalho prisional isento das responsabilidades trabalhistas. "Se os trabalhos realizados pelos reeducandos fossem desenvolvidos por empresas particulares, os custos seriam bem maiores", destaca o presidente Nereu Rios. Outro benefício é que os reeducandos do Projeto são beneficiados com redução de pena: um dia a menos de pena para cada três dias trabalhados.

Já passaram pelo projeto cerca de dois mil reeducandos. A maioria dos atendidos tem idade entre 20 e 30 anos e pouca escolaridade, com apenas o Ensino Fundamental. Com relação à profissão, a quase totalidade dos integrantes não tem nenhuma qualificação profissional e desenvolvem trabalhos de serviços gerais. Atuam na área de jardinagem, limpeza, portaria, motorista de trator, operador de máquina costal, viveiro de mudas, hidráulica, elétrica e marcenaria.

O projeto beneficia, além do reeducando, os seus familiares. Os integrantes recebem um salário-mínimo, vale-transporte, alimentação, uniforme e uma cesta básica, e contam com atendimento jurídico, social, psicológico e jurídico.

Atualmente estão sendo atendidas 152 pessoas, em parcerias que o Conselho mantém com a Embrapa, além de diversos órgãos estaduais como Procon, Secretaria de Obras Públicas e Transporte, Secretaria de Trabalho e Assistência Social, Agência de Desenvolvimento Agrário, Instituto de Meio Ambiente, Fundação de Cultura, Defensoria Pública, Secretaria de Justiça e Segurança Pública, Corpo de Bombeiros, Fundação de Saúde, Agência de Imprensa Oficial, Secretaria da Produção, Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia e Secretaria de Administração.

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